Lívia
Eu estou na biblioteca, um dos poucos cômodos que ele não tranca, um refúgio precário. Perco-me entre as páginas amareladas de um romance clássico, o cheiro de papel antigo e tinta me envolvendo. Ler é a única forma de impedir que o vazio da minha memória seja preenchido apenas pela voz autoritária dele, pela sombra de sua presença. As palavras dos livros são as âncoras que me impedem de derivar em um mar de incertezas, de me afogar na amnésia que me consome. Sigo até a sala, arrastando a