Capítulo 14
A chuva fustigava o asfalto do Porto de Santos, transformando as poças de óleo em espelhos negros que refletiam as luzes fracas dos postes. Eu sentia o frio entranhar-se nos meus ossos através do vestido de seda, agora rasgado na bainha para me permitir correr. O cheiro a salitre e ferrugem era sufocante. Diante de mim, o Galpão 4 erguia-se como uma bocarra de metal, as portas de correr entreabertas, rangendo ao sabor do vento cortante.
— Lucas? Estás aí? — sussurrei, mas o meu auri