A noite inteira eu rolei na cama, olhando pro teto, pensando na proposta da Lídia. Meu cérebro brigava com meu coração o tempo todo. Uma parte de mim gritava que aquilo era loucura, que não, que eu não nasci pra isso, que eu tinha limite. A outra parte... bom, a outra parte só lembrava das contas jogadas na mesa. Do aviso de corte de energia. Dos três boletos da faculdade carimbados com “URGENTE”. E do fundo da geladeira, que tinha uma água, um ovo e um resto de arroz.Mas, ainda assim, eu resisti. Acordei no dia seguinte determinada a bater na porta do mundo mais uma vez. Sai pra procurar emprego, entregar currículo, cara e coragem. Subi e desci ruas, entrei em loja, oficina, mercadinho, salão, qualquer coisa. Algumas pessoas me olhavam com pena, outras nem levantavam os olhos do computador. E no fim do dia, adivinha? Nada. Nenhuma ligação. Nenhuma chance.Cheguei em casa exausta, com os pés doendo, a alma mais ainda. Me joguei no sofá rasgado, respirei fundo, fechei os olhos e tente
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