CAPÍTULO 179.

Eliyahu Prokhorov

Ela a empurrou. Sem hesitar. Sem pensar. Sem sequer franzir a testa.

Eu vi Darina esticar o braço e lançar Francisca escada abaixo como quem afasta uma cortina incômoda. Vi seu rosto: absolutamente vazio. Sem pesar, sem raiva, sem nada. Apenas exaustão. E silêncio.

O corpo de Francisca bateu degrau por degrau até estatelar-se no chão. A sala inteira congelou. O barulho surdo dos ossos contra madeira, dos chinelos voando, do grito entrecortado... E depois o choro escandaloso da princesa mimada.

— VOCÊ FICOU MALUCA? TÁ TENTANDO ME MATAR?! — ela berrou, arrastando-se, segurando o tornozelo com teatralidade.

Mas o que me deu um nó no estômago não foi a queda. Foi Darina.

Ela permaneceu parada no topo da escada, como uma deusa antiga e esquecida, exalando uma fúria calma, superior. Seus olhos não demonstravam piedade. Nenhum remorso. Nenhuma pressa em socorrer a prima. Nada. Apenas o mesmo olhar vazio de quem não sente nem o direito de se justificar.

— Eu disse pra você c
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