Aleksei Vasiliev
O primeiro beijo consciente de Aurora ainda queimava nos meus lábios. Não havia bebida, não havia raiva, não havia máscaras. Apenas ela, me permitindo um instante de verdade. Para mim, foi como se dois séculos de vazio tivessem se apagado.
Passei noites inteiras imaginando esse momento. A eternidade é um deserto, e de repente ela me ofereceu uma gota de água. Eu quis beber o oceano inteiro. O meu instinto gritou para morder, selar o vínculo, torná-la minha para sempre. Mas não. Ainda não.
Eu a observei. Aurora era bela até na dúvida. O olhar firme, mas os dedos tremiam quando encostavam em mim. Eu sabia, se me apressasse, ela fugiria. Então escolhi a posição mais difícil para alguém como eu. A posição que dói mais do que qualquer açoite. A de ser apenas seu submisso.
Ela percebeu. Os olhos se estreitaram com curiosidade e poder.
— Está pronto para obedecer, Aleksei? — perguntou, a voz cortante.
— Sempre. — respondi, e a palavra não foi mentira.
Ela me levou pela mão a