Aurora Mancini
Eu não queria apressar. Apressar estraga. Eu queria entender o que o meu corpo dizia quando não estava carregado de armas. O meu corpo disse que sim.
Eu disse que sim com a boca e com a mão que subiu para o cabelo dele. O beijo ganhou calor. Eu senti a linguagem dele ceder à minha. Sentir alguém ceder é diferente de ver alguém ajoelhar. É outra arte.
Ele respirou mais fundo. O som entrou no meu ouvido como uma música simples. Eu me afastei meio passo e olhei. Havia algo no rosto dele que eu ainda não tinha visto tão claro.
Não era adoração cega. Era reconhecimento. Eu não sabia o que fazer com isso. Então fiz o que eu sei fazer quando temo me perder. Eu falei.
— Eu não acredito em destino ainda. — repeti — Eu só acredito no que a gente constrói. Dia após dia. Sem cenas. Sem promessas de novela.
— Eu estou aqui para construir. — ele respondeu — Você é quem assina a obra.
— E se eu desistir.
— Eu junto os cacos e espero você mudar de ideia.
— E se eu nunca mudar.
— Eu