Mundo ficciónIniciar sesiónDez anos foram suficientes para transformar uma menina em uma mulher movida por um único propósito: vingança. Criada longe de tudo o que um dia fez parte de seu passado, Lygia aprendeu que algumas dívidas só podem ser pagas com sangue. Agora, ela retorna ao Rio de Janeiro com um plano cuidadosamente traçado. Seu primeiro destino é o Complexo da misericórdia, onde pretende se aproximar de TH, um dos homens mais influentes do morro. O que ela não esperava era que, por trás da fama, do poder e do perigo, existisse um homem capaz de despertar sentimentos que colocariam sua missão em risco. Entre segredos, mentiras e verdades escondidas há mais de uma década, Lygia descobrirá que nem tudo é como lhe contaram. E, quando o passado finalmente vier à tona, ela terá que decidir se continuará vivendo pela vingança... ou se terá coragem de enfrentar a verdade.
Leer másAlgumas datas jamais são esquecidas.Não porque foram felizes.Mas porque dividiram a vida entre o antes e o depois.DEZ ANOS ATRÁS.A chuva caía forte sobre o Rio de Janeiro.Os relâmpagos riscavam o céu enquanto um carro preto seguia pela estrada cercada pela mata.No banco da frente, Augusto Albuquerque dirigia com atenção.Ao seu lado, Helena observava a chuva bater contra o vidro.No banco de trás, duas meninas dividiam o mesmo cobertor.Valentina, a mais velha, tentava distrair a irmã.— Quando chegar em casa, eu deixo tu escolher o filme.A pequena Lygia sorriu.— Promete?— Prometo.Lygia estendeu o dedo mindinho.— Promessa de irmã.Valentina riu.— Promessa de irmã.As duas uniram os dedos.Helena olhou pelo retrovisor e sorriu discretamente.Aquela era uma cena que gostaria de guardar para sempre.Poucos quilômetros depois...Um caminhão apareceu na pista.Augusto estranhou.Estava atravessado no meio da estrada.— Isso não tá certo...Ele diminuiu a velocidade.Antes que p
Tel caminhava pela rua principal da comunidade.Cumprimentava um morador aqui, outro ali.Atrás dele, passos apressados chamaram sua atenção.— Tel! Espera aí!Ele virou o rosto.Uma jovem se aproximava, claramente irritada.Assim que chegou perto, cruzou os braços.— Até quando tu vai fingir que eu não existo?Tel soltou um suspiro discreto.— Qual foi agora, Bruna?Ela balançou a cabeça.— Eu cansei dessa história. Quero saber o que eu sou pra tu.Algumas pessoas que passavam diminuíram o ritmo, curiosas.Tel percebeu e falou em um tom calmo.— Bora conversar sem fazer espetáculo.Bruna deu um passo à frente.— Eu gosto de tu. Todo mundo sabe. Tu podia me assumir.Tel manteve a tranquilidade.— Bruna... antes da gente ficar, eu fui sincero contigo.Ela desviou o olhar.— Tu falou...— Falei que eu não tava procurando relacionamento. Não prometi namoro, não prometi futuro e nem iludi ninguém.Ela respirou fundo.— Mas eu achei que tu ia mudar de ideia.Tel respondeu sem elevar a voz.
As manhãs na comunidade tinham um ritmo próprio.Antes mesmo das oito horas, o cheiro de café fresco já tomava conta da rua. As portas das casas se abriam aos poucos, crianças corriam atrás de uma bola improvisada e os primeiros clientes se aproximavam da barraca de dona Cida.Lygia já havia transformado aquele caminho em parte da sua rotina.Assim que dobrou a esquina, sorriu discretamente.— Bom dia, dona Cida.A senhora levantou os olhos e retribuiu o sorriso.— Bom dia, minha filha. O café já tá prontinho.Lygia sentou-se na cadeira de plástico enquanto dona Cida preparava a xícara.Mas, antes de terminar de servir o café, a idosa parou por um instante.Levou a mão à testa.Piscou duas vezes.O copo quase escapou de seus dedos.— Dona Cida? — perguntou Lygia, levantando-se imediatamente.A senhora tentou sorrir.— Não foi nada... só uma tonturazinha...Antes que terminasse a frase, perdeu o equilíbrio.Lygia foi rápida.Segurou a idosa antes que ela caísse no chão.Os poucos clien
A pequena casa ainda tinha cheiro de tinta fresca.Algumas caixas permaneciam fechadas no canto da sala, enquanto outras já começavam a encontrar seu lugar.Lygia sempre fora organizada.Tudo precisava estar exatamente onde ela havia planejado.Era um hábito antigo.Um reflexo dos anos em que qualquer descuido era considerado um erro.Ela terminou de guardar as roupas no guarda-roupa e se ajoelhou diante da última caixa.Era menor que as outras.Velha.As bordas já estavam desgastadas pelo tempo.Ela respirou fundo antes de abri-la.Ali dentro havia poucas coisas.Algumas fotografias sem importância.Um livro antigo.Uma manta dobrada.E, no fundo da caixa...Um pequeno colar.Lygia o pegou cuidadosamente.O pingente girou entre seus dedos.Era uma rosa dos ventos, delicadamente trabalhada em prata envelhecida.Ela passou o polegar sobre os detalhes.Já havia visto aquele colar milhares de vezes.Desde que se conhecia por gente, ele sempre estivera com ela.Nunca soube de onde veio.N
Último capítulo