A casa — se é que aquilo podia receber esse nome — era grande demais para ser confortável. Havia silêncio demais para ser acolhedora. Cada linha arquitetônica era precisa, calculada, fria. Como Elijah.
Vidro, aço e mármore refletiam a luz suave que vinha do teto, sem deixar sombras suficientes para esconder nada. Era um lugar feito para observar.
E para ser observado.
Isabella caminhou atrás dele, sentindo o peso invisível daquele espaço. Nada ali era neutro. Nada era casual.
— Essa será sua base — disse Elijah, sem olhar para trás. — Até que tudo esteja… resolvido.
Ela quase riu.
Base.
A palavra certa era cativeiro com sofisticação.
Ele abriu uma porta automática, revelando uma sala ampla com vista para o mar. O horizonte era tão perfeito que parecia uma pintura — e exatamente por isso, Isabella desconfiou.
A beleza às vezes era camuflagem.
No centro da sala havia uma mesa de mármore polido. Sobre ela, solitário e estrategicamente colocado, um envelope.
Elijah fez um gesto