Dentro do carro, o silêncio não era vazio, era pulsante, cheio de pensamentos que nenhum dos dois verbalizava. Os faróis cortavam a estrada enquanto São Paulo ficava para trás, e o céu começava a assumir um tom azul profundo, anunciando o fim do dia.
Isabela mantinha as mãos entrelaçadas no colo, como se precisasse se agarrar a algo para não demonstrar o quanto estava vulnerável. Dante dirigia com uma calma quase calculada, mas havia rigidez nos ombros, nos dedos no volante, no olhar fixo à frente.
— Você está bem? Ele perguntou, sem desviar os olhos da estrada.
Ela demorou alguns segundos para responder.
— Estou… processando.
Ele assentiu, como se esperasse exatamente aquela resposta.
— Eu sei — murmurou ele.
Aquelas duas palavras carregavam mais do que ela gostaria. Era como se ele enxergasse o que nem ela conseguia nomear.
— Helena não tinha o direito! Isabela disse de repente - quebrando o silêncio, de falar sobre você daquele jeito. Nem sobre nós.
Dante respirou fundo.