Ruby
Um mês tinha passado desde o dia em que eu saí daquela sala de reuniões tremendo por dentro e fingindo força por fora. Um mês desde que eu assinei demissões, coloquei auditorias na rua e comecei a acordar com a palavra “responsabilidade” grudada na língua. O luto ainda morava comigo, mas agora ele dividia espaço com uma coisa nova: rotina. E rotina, por mais fria que pareça, às vezes salva.
Na primeira semana, os jornais me chamaram de “imprudente”. Na segunda, de “surpreendente”. Na terceira, mudaram o tom. E naquela manhã, quando eu desci do carro com Stella ao meu lado e vi o painel de notícias no saguão, eu senti o choque no estômago como se alguém apertasse meu coração.
— “A viúva que reconstruiu o império Sinclair.” — estava ali, em letras grandes.
Eu não sorri. Eu também não chorei. Só respirei. Stella inclinou a cabeça, lendo por cima do meu ombro.
— Eles estão começando a te temer, senhora.
— Não quero que me temam. — respondi, ajeitando o blazer preto.
— Temor é um tipo