Ruby
Os dias seguintes se misturam num ritmo estranho. Não são calmos. Também não são caóticos. São intensos.
Eu tento manter distância. Tento mesmo. Digo a mim mesma que preciso de espaço, que tudo aconteceu rápido demais, que ainda estou em luto. Mas o meu corpo não obedece aos discursos que faço sozinha no espelho. Ele reconhece Ethan antes que eu consiga fingir indiferença.
Basta ele entrar no mesmo ambiente para o ar mudar.
O jeito como me olha, não como posse, mas como escolha, desmonta minhas defesas uma por uma. E quando ele toca minha mão, ou passa por trás de mim no corredor, é como se algo que ficou adormecido por meses despertasse sem pedir permissão.
A primeira vez depois daquela noite e daquela manhã acontece sem planos.
Eu estou na cozinha, tentando fingir normalidade, e ele encosta na bancada ao meu lado. Não fala nada. Só fica ali. Perto demais. O silêncio pesa mais do que qualquer palavra.
— Você está me evitando de novo? — ele diz, baixo.
— Estou tentando pen