Ruby
A noite caiu sem que eu percebesse. Quando levantei os olhos do computador, o reflexo no vidro mostrava uma mulher diferente da que entrou ali pela manhã. O cabelo preso de qualquer jeito, olheiras fundas, o paletó jogado sobre a cadeira.
A empresa estava quase toda vazia. O silêncio do andar era pesado, interrompido apenas pelo som distante do ar-condicionado e pelo clique ritmado do teclado.
Eu podia ir embora. Mas não fui. Quando liberei Stella, ela insistiu em ficar comigo. Mas eu disse que não era justo com ela ficar sendo que seu horário já tinha passado.
Os papéis da nova filial estavam atrasados, os contratos precisavam ser revisados mais uma vez, e eu me recusava a entregar qualquer coisa incompleta. Andrew nunca aceitou “quase pronto”. Eu aprendi isso cedo demais.
— Só mais um pouco… — falei para mim mesma, esfregando os olhos.
O relógio marcava quase onze da noite quando ouvi passos no corredor. Levantei o olhar instintivamente.
A porta estava entreaberta quando o Sr.