Ruby
Eu tento. Juro que tento. Levanto da cama, sento na beira, coloco os pés no chão. Respiro fundo, como se isso fosse suficiente para reorganizar o mundo. Mas tudo em mim pesa. O quarto pesa. O ar pesa. O silêncio pesa.
Andrew não está aqui.
E essa ausência abre um buraco dentro de mim que não cicatriza, não fecha, não diminui. É como se alguém tivesse arrancado uma parte do meu corpo e esperado que eu continuasse funcionando normalmente.
Eu não consigo.
Não sinto fome. Quando tento comer, o estômago embrulha, a garganta fecha. A comida vira algo estranho, inútil. Um esforço que não faz sentido quando tudo o que eu queria era ouvir a voz dele mais uma vez.
Também não consigo sair do quarto. Cada porta parece levar para um lugar onde ele não está. Cada corredor me lembra passos que não existem mais. A casa inteira se transformou num museu de coisas que não voltam.
E quando o cansaço finalmente vence a insônia… eu sonho. Sempre com ele.
No sonho, Andrew está em pé na nossa varanda, u