Ruby
Duas semanas depois, eu volto pra casa.
A porta da mansão se abre como sempre se abriu, mas o som parece diferente. Mais oco. Mais frio. O cheiro ainda é o mesmo, mistura de madeira encerada, flores frescas e algo que eu não sei explicar, talvez memória. Só que agora a casa não responde. Ela não me acolhe. Ela observa.
Estou mais magra. Não precisei subir na balança para saber. Meu corpo denuncia o que meu coração viveu. As roupas caem nos ombros, os ossos aparecem mais do que antes, o rosto no espelho parece de alguém que passou por uma guerra.
Seguro o Dustyn contra o peito quando atravesso o hall. Ele dorme tranquilo, alheio à ausência que grita em cada canto daquela casa. Às vezes isso me machuca. Às vezes isso me salva.
— Seja bem-vinda de volta, senhora Sinclair — diz Hellen, com cuidado demais na voz.
Assinto, porque falar ainda exige um esforço que eu não tenho certeza se consigo fazer todos os dias.
No fim da tarde, o advogado de Andrew chega. Ele traz uma pasta grossa,