Onde Nasce o Veneno
Acordei antes do sol.
O corpo ainda doĂa em lugares que palavras nĂŁo alcançam.
Mas nĂŁo era uma dor de arrependimento.
Era memĂłria.
Era domĂnio.
Estava nua sob os lençóis escuros, e por um instante, desejei que o mundo lå fora tivesse desaparecido.
Mas Selyra sussurrou:
> âLevanta.
O sangue ainda nĂŁo secou.
E o prĂłximo virĂĄ com veneno na lĂngua e prata nas mĂŁos.â
Me ergui devagar, envolvi-me num manto vinho e caminhei até a varanda.
A floresta parecia imĂłvel.
Mas havia olhos