ENTRE DUAS ALMAS, DOIS DESTINOS
O vento da noite atravessava as ĂĄrvores altas da floresta como dedos antigos, roçando pelas folhas com um sussurro que parecia vir de outra Ă©poca. A lua cheia, pesada e branca como leite derramado, iluminava o caminho que se abria diante de mim. Havia algo diferente no ar â uma vibração que me tocava sob a pele, acordando minha loba de um jeito que eu nĂŁo sentia desde os primeiros tempos da minha ligação com Marco.
Lyra, minha loba, estava inquieta. NĂŁo falava â apenas rosnava baixo, como se pressentisse algo que eu ainda nĂŁo compreendia.
âCalma⊠fala comigoâ, sussurrei em pensamento.
Mas ela apenas respondeu com um sopro instintivo, selvagem. Impaciente.
A mansĂŁo estava a poucos metros de distĂąncia. Luzes bruxuleavam pelas janelas de vidro antigo, refletindo como pequenas chamas douradas sobre o lago que cercava parte da propriedade. Era estranho â aquela casa, que tantas vezes me trouxera aconchego, agora parecia vibrar como se estivesse viva, pulsand