O Despertar Entre Sombras e Sangue da Lua
A escuridĂŁo nĂŁo era simples ausĂȘncia de luz.
Era matéria.
Peso.
PressĂŁo.
Ela me envolveu como se tivesse mĂŁos â mĂŁos frias, antigas, que afundavam em minha pele, em meus ossos, em minha alma. NĂŁo havia som. NĂŁo havia chĂŁo. NĂŁo havia cĂ©u. Era como estar suspensa dentro da boca de um abismo vivo, respirando o silĂȘncio com o medo latejando dentro do peito.
Lyria lutava dentro de mim.
Eu sentia sua presença, mas distante, abafada, como se alguém tivesse colocado uma muralha entre nós.
â Alice⊠â sua voz era fraca, como se viesse debaixo dâĂĄgua.
â Lyria, cadĂȘ vocĂȘ? â tentei chamĂĄ-la, mas minha voz nĂŁo saiu.
â Ele⊠fechou as portas⊠todas as portasâŠ
Ele?
O pronome ecoou como uma lĂąmina no escuro.
Antes que eu pudesse perguntar, um clarĂŁo rasgou a escuridĂŁo.
NĂŁo era luz.
Era vermelho.
Um vermelho tão profundo que parecia ter sido retirado diretamente do coração de uma criatura primordial. Ele se espalhou ao meu redor, pulsando como sangue recém-derra