O Presságio Rasgado na Pele da Noite
A noite parecia construída de vidro.
Frágil. Silenciosa. Prestes a se partir ao menor toque.
E eu sentia esse vidro sob minha pele, caminhando comigo enquanto atravessava o corredor principal da mansão de Rafael — meus passos arrastados, meus pensamentos dispersos e meu coração batendo em um ritmo que não combinava com nenhuma música humana.
Era como se algo estivesse prestes a romper dentro de mim.
E não apenas dentro de mim — mas na floresta inteira.
Senti a presença de Lyria, minha loba, deslizando sob minha pele com inquietação. Ela não rosnava, não exigia, não chamava. Apenas circulava, lenta, silenciosa, como uma sombra selvagem que farejava um desastre inevitável.
— Há algo errado, ela sussurrou dentro de mim.
— O quê? — perguntei, mesmo sabendo que ela ainda não tinha uma resposta.
— O vento fala. Ouça.
Respirei fundo.
O ar entrou frio demais, cortante demais, salgado demais — como se tivesse atravessado mares impossíveis antes de chegar at