Clara Ribas
Eu fiquei do lado de fora, encostada na porta do banheiro, ouvindo o som da água caindo. Fernanda tinha ligado o chuveiro no máximo. O vapor começou a sair por baixo da porta, carregado com um calor excessivo. Eu sabia o que ela estava fazendo.
— Nanda, abre essa porta! A água está quente demais, você vai se queimar! — Eu gritava, batendo na madeira com as palmas das mãos já doloridas.
Meu coração martelava no peito, um misto de pavor e impotência. Aquela era a quarta vez em menos