Fernanda Vasques
O teto branco do meu quarto era a única coisa que eu conseguia encarar sem sentir o mundo girar rápido demais. Fiquei ali, imóvel, presa naquele nada de gesso… como se, olhando fixo o suficiente, tudo ao redor fosse mudar. Acordar era sempre a parte mais difícil. No sono, o vazio no meu ventre não doía tanto; no sono, o rosto do Fred era apenas um borrão sem poder. Mas a realidade... a realidade sempre voltava, pesada e fria como mármore.
A porta rangeu suavemente. Clara coloco