Fernanda Vasques
O silêncio no quarto da Clara era denso, quase sólido. O efeito do sedativo tinha passado, deixando em seu rastro uma ressaca emocional que parecia ter transformado meu sangue em chumbo. Eu estava deitada, olhando para o teto, contando as imperfeições da pintura para não ter que contar as rachaduras na minha própria alma.
— Nanda? — A voz da Clara veio suave, acompanhada pelo som da porta se abrindo apenas uma fresta.
Eu não respondi. Eu não tinha palavras. Cada vez que eu tent