Narrado por Henrique
Eu ainda estava na cozinha, dando os últimos retoques na arrumação. Um sorriso teimou em meus lábios ao me lembrar dos olhos dela, um misto de surpresa e divertimento quando a levei até a sala e demonstrei um pouco de cuidado. Havia uma candura nela, uma doçura que despertava em mim um instinto protetor que nem sabia que possuía.
— Sente-se, por favor? — Eu disse, e ela, com um "obrigada" sussurrado, afundou-se no sofá. — Deseja assistir televisão? O sofá está confortável? Se quiser, lhe arranjo mais almofadas, tá bem?
Ela apenas balançou a cabeça, aqueles olhos grandes fixos em mim, analisando cada movimento. Pela reação dela, acredito que nunca teve alguém ao seu lado tentando cuidar dela. O pensamento era uma faca de dois gumes: cortava com uma ponta de pena, mas também com uma estranha satisfação de saber que eu era o único. Mas Anita tem aquele jeito doce que me dá vontade de querer cuidar dela.
Ao terminar, voltei para a sala, esperando encontrá-la, assisti