O sol já começava a se esconder atrás das montanhas quando me sentei na varanda com o caderno no colo e uma caneca de chá nas mãos. A brisa de Monte Verde era diferente no fim da tarde — tinha cheiro de terra úmida e alguma coisa que lembrava saudade. As palavras finalmente voltavam a me visitar, aos poucos. Não em enxurradas, como antes, mas em gotas pacientes, como a chuva fina que amolece o solo seco.
Ouvi passos na trilha de pedra. Não precisei levantar os olhos para saber quem era.
— Achei