84. A voz dentro de mim.
Connor
Ainda sentia o gosto metálico do sangue na boca quando ela se ergueu. Hoop. Não apenas Hoop… mas algo maior. Algo que queimava como uma aurora na escuridão, rasgando tudo o que éramos antes.
O ar pareceu se partir quando sua transformação aconteceu diante de mim. A dor que sempre habitou seus olhos se dissolveu em pura força, e o que nasceu ali me fez prender a respiração.
Branca como a lua cheia, com reflexos prateados que cintilavam em cada pelo, sua loba caminhava até mim. Era diferente. Selvagem. Viva. Indomável.
Brutus rugiu dentro de mim, agitado, quase em êxtase.
‘Olhe para ela, Connor… Olhe! É a nossa outra metade. Ela não é frágil, nunca foi. Ela é fogo e noite ao mesmo tempo. É linda! E nossa!’
Meus olhos ardiam. Eu já vi exércitos se erguerem e tombarem em rios de sangue, mas nunca havia visto algo tão belo. Não apenas sua forma, mas o que ela significava: completude. O fim da espera. O fim da dor.
Ela me encarou com seus olhos violetas e naquele olhar havia reconhe