A seca ensinava em silêncio. Não com grandes perdas, nem com tragédias imediatas, mas com pequenas renúncias diárias que exigiam maturidade. Isabella passou a acordar ainda mais cedo. Antes mesmo do sol nascer por completo, já caminhava pela propriedade, observando o comportamento da terra, dos animais, do vento. Havia aprendido que nem toda resposta vinha rápido — algumas vinham fundo.
Rafael acompanhava esse novo ritmo sem reclamar. Ajustara a própria rotina para estar presente onde fosse necessário, mas também para não ocupar espaços que não eram seus. Havia dias em que resolvia tudo com Isabella; em outros, apenas deixava o café pronto e seguia para o curral, entendendo que silêncio também era cuidado.
Naquele início de semana, decidiram ampliar o uso do antigo sistema de captação de água que Seu Anselmo começara anos atrás, mas nunca concluíra. Um reservatório simples, enterrado perto do pomar, esquecido sob o mato alto e o tempo.
— O vô falava disso… — Isabella comentou ao encon