A seca não chegou de uma vez. Ela se anunciou aos poucos, como tudo que realmente transforma. Primeiro, a chuva que atrasou uma semana. Depois, o calor insistente mesmo ao amanhecer. Por fim, o chão — antes escuro e macio — começou a rachar em linhas finas, como se a terra respirasse com dificuldade.
Isabella percebeu antes de todo mundo. Não porque fosse mais sensível, mas porque aprendera a escutar o que não grita. O milho não crescia no mesmo ritmo. O pasto perdia o verde cedo demais. As vacas bebiam água com uma urgência silenciosa. Nada ainda era desespero — mas já não era normal.
Ela caminhava pela fazenda todas as manhãs com um caderno na mão, anotando o que via, o que sentia, o que precisava ser decidido. Havia dias em que parava no meio do campo, fechava os olhos e respirava fundo, como se perguntasse à terra: o que você aguenta?
Rafael a observava de longe nessas horas. Não interferia. Aprendera que amar Isabella era respeitar o modo como ela pensava o mundo. Ele ajudava no