A viagem começou antes do sol nascer por inteiro. A estrada ainda carregava o frio da madrugada, e a neblina fina desenhava contornos imprecisos nas margens do caminho. Isabella fechou a casa com cuidado, como quem pede licença à terra antes de partir. Rafael colocou as malas no carro sem pressa, conferindo duas vezes — hábito antigo, misto de ansiedade e responsabilidade.
— Avisou a Tonico? — ele perguntou.
— Duas vezes. — respondeu — E deixei tudo anotado. A fazenda aguenta uns dias sem a gente.
Rafael sorriu, ligando o carro.
— Aguenta porque você ensinou a aguentar.
O motor ganhou a estrada, e a fazenda ficou para trás, recolhida no espelho retrovisor. Isabella observou até o último instante em que a porteira ainda era visível. Não havia aperto — apenas consciência de que sair também fazia parte de ficar.
O caminho até Belo Horizonte foi silencioso no começo. Não um silêncio desconfortável, mas atento. Rafael mantinha os olhos na pista; Isabella, no horizonte que se abria aos pouc