O tempo seguiu passando com a delicadeza de quem sabe esperar. As semanas foram se acomodando umas nas outras, e a fazenda assumiu um novo ritmo — não mais marcado pela ausência, mas por uma presença diferente, silenciosa e constante. Isabella já não acordava com o susto da lembrança. A dor ainda existia, mas agora vinha mansa, como saudade que não machuca, apenas acompanha. Rafael percebeu isso antes mesmo que ela dissesse qualquer coisa.
Numa manhã, enquanto consertavam juntos uma cerca caída perto do riacho, ele comentou:
— Você anda sorrindo mais com os olhos.
Isabella ergueu o rosto, surpresa.
— Isso é bom ou preocupante?
— É bonito. — ele respondeu, simples — Parece que você encontrou um jeito de carregar o que perdeu sem deixar cair.
Ela apoiou o martelo no chão e se sentou na estaca.
— Eu ainda sinto falta dele todos os dias. — disse, suavemente.
— Eu sei. — Rafael respondeu, sentando-se ao lado dela na estaca de madeira — Mas agora essa falta não te puxa pra trás, ela te empu