Os dias seguintes trouxeram uma rotina que não dava espaço para o vazio se acomodar por completo, mas também não apagava a ausência. Havia momentos em que Isabella ainda se virava para comentar algo com o avô — um detalhe do curral, uma decisão sobre a lavoura — e só então lembrava. A dor vinha, rápida, funda, e passava. Como tudo que agora precisava passar.
Naquela manhã, o céu amanheceu aberto demais para uma terra que se preparava para a seca. Isabella acordou com a sensação de que algo precisava ser feito — não por urgência, mas por responsabilidade. Sentou-se à mesa da cozinha com o velho caderno de anotações de Seu Anselmo. As páginas estavam gastas, cheias de números tortos, observações soltas e pequenas frases que ele escrevia como quem conversa com a própria consciência. Rafael entrou com duas xícaras de café.
— Achei isso ontem no quarto dele. — Isabella disse, tocando o caderno com cuidado — Nunca vi ele sem isso.
Rafael folheou algumas páginas.
— Ele planejava mais do que