A semana seguinte passou como um rio que corre em silêncio: constante, profundo, impossível de deter. A fazenda entrou num ritmo novo — menos guiado por hábitos antigos, mais atento às decisões que agora precisavam ser feitas com consciência. Isabella sentiu isso logo no terceiro dia, quando precisou assinar documentos que antes o avô apenas conferia por alto, confiando mais na palavra do que no papel. Sentada à mesa da cozinha, espalhou contratos, contas e anotações. O lápis tremia levemente entre os dedos. Rafael ficou em pé, encostado no batente da porta. Não se aproximou de imediato. Aprendera, nesses dias, que apoio também é saber quando não invadir.
— Se eu errar… — ela começou, sem tirar os olhos do papel — Não é só dinheiro, é a história dele.
Rafael se aproximou devagar.
— História não se perde com um erro. — disse — Se perde quando a gente abandona, e você não tá fazendo isso.
Ela ergueu o olhar, encontrou nele uma segurança que não vinha de certezas, mas de compromisso.
— A