A noite passou devagar, como se o tempo tivesse decidido caminhar no mesmo ritmo do coração de Isabella. Ela dormiu pouco, acordando várias vezes com o som do vento nas janelas, com o farfalhar distante do milharal, com lembranças que vinham e iam sem pedir licença. Não eram pesadelos — eram pensamentos vivos, atentos, insistentes.
Antes do sol nascer, Isabella já estava de pé. Colocou água para ferver, preparou café, abriu as janelas. O ar da madrugada entrou fresco, trazendo consigo aquele cheiro conhecido de terra úmida e promessa. Do lado de fora, a fazenda despertava lentamente. Um galo cantou, depois outro.
Os primeiros passos de Tonico ecoaram pelo terreiro. Ela saiu para ajudar, mesmo antes de ser chamada. Conferiu cercas, distribuiu ração, observou os animais com atenção redobrada. Cada gesto carregava uma intenção silenciosa: manter tudo de pé, para quando ele voltasse. Para quando o avô pudesse caminhar outra vez por ali.
— A senhora não para nunca, né? — Tonico comentou, e