O sol ainda nem tinha alcançado o alto das janelas do hospital quando Rafael recebeu a mensagem: “Reunião confirmada para hoje às 11h. É a última chance.” A tela parecia mais pesada que o próprio telefone. Ele olhou para a cama — Seu Anselmo dormia, respirando fundo, como alguém que lutou a noite inteira por cada minuto de vida.
Rafael passou a mão no rosto e deixou o celular sobre a cadeira.
A porta se abriu. O médico entrou com uma prancheta.
— Ele está reagindo devagar, mas reagindo. Isso é bom.
— Quanto tempo até sabermos se ele está fora de risco?
— Dias. Talvez semanas.
Rafael assentiu, sentindo a corda puxar de dentro: dias ou semanas, mas ele tinha horas.
No escritório improvisado, ele abriu o notebook. A chamada com o produtor aparecerá com o nome que um dia fez seu coração disparar de sonho: Vasques — Produções Artísticas. Ele respirou fundo e atendeu. O produtor apareceu na tela — blazer caro, cenário luxuoso e um sorriso comercial.
— Torres! Confesso que achei que você fos