A noite caiu sem estrelas na cidade. No hospital, os corredores cheiravam a antisséptico e espera. Rafael caminhava até a máquina de café, embora soubesse que não suportava o gosto. Era apenas uma forma de respirar por um instante. Quando voltou ao quarto, encontrou Seu Anselmo acordado, olhando para o teto.
— Você devia dormir. — resmungou o velho.
— Já dormi. — Rafael puxou a cadeira — Agora é a vez do senhor.
Anselmo virou o rosto devagar, o olhar carregando uma vida inteira de certezas que agora se desmanchavam.
— A Isa sempre seguiu minha voz. Agora é você quem ela escuta. — disse com um sorriso fraco, mas real — Não decepcione.
Rafael sentiu o peso dessas palavras como um nó amarrado no peito.
— O senhor fala como se estivesse indo a algum lugar.
O velho riu sem força.
— A gente sempre está.
Na fazenda, Isabella estava deitada na cama, mas o sono não a encontrava. O vento fazia a janela bater leve, quase um chamado. Ela se levantou, pegou o violão de Rafael — ainda afinado, aind