A noite caiu sem estrelas na cidade. No hospital, os corredores cheiravam a antisséptico e espera. Rafael caminhava até a máquina de café, embora soubesse que não suportava o gosto. Era apenas uma forma de respirar por um instante. Quando voltou ao quarto, encontrou Seu Anselmo acordado, olhando para o teto.
— Você devia dormir. — resmungou o velho.
— Já dormi. — Rafael puxou a cadeira — Agora é a vez do senhor.
Anselmo virou o rosto devagar, o olhar carregando uma vida inteira de certezas que