O dia seguinte amanheceu cinza, como se o céu tivesse espelhado o peso dentro de Isabella. Não havia canto de pássaros animados, nem o brilho habitual da fazenda. Havia trabalho, obrigações — e um vazio que insistia em se instalar no peito dela.
A primeira coisa que fez foi verificar a novilha e o bezerro. Ambos respiravam, ainda frágeis, mas vivos.
Isa passou a mão sobre o dorso da mãe e murmurou:
— Aguenta, ele vai querer ver vocês quando voltar.
Ao sair, encontrou Tonico parado na porta do celeiro, olhando pra ela com um cuidado que só quem cresceu junto sabia oferecer.
— Quer que eu passe o dia com os animais, dona Isa? A senhora devia descansar.
Ela respirou fundo.
— Não, Tonico. A fazenda não pode parar. Meu vô não criaria nada que dependesse só de uma pessoa. A gente continua. Sempre.
Ele assentiu, emocionado.
No hospital, Rafael ocupava a cadeira dura ao lado da cama. A última noite tinha sido longa. Enfermeiras entrando, exames saindo, murmúrios de preocupação. Seu Anselmo do