O barulho da ambulância improvisada — a caminhonete velha adaptada da cidade — quebrou a manhã como um trovão fora de hora. O veterinário que sempre ajudava a fazenda veio junto, mas dessa vez não era animal que ele avaliaria. Seu olhar recaiu sobre o corpo frágil de Seu Anselmo.
— Ele precisa ser internado, Isa. — disse com firmeza, após examinar o velho na sala — Não é só cansaço. O coração dele está gritando há tempos.
A frase caiu como um golpe. Isabella sentiu as pernas fraquejarem e Rafael a segurou antes que caísse.
— Eu vou com ele. — ela disse, lutando para recuperar o fôlego — Eu preciso ir.
Mas a vida, como sempre, exigia mais dela.
— A novilha ainda tá instável... — Tonico lembrou, aflito — Se ela abortar, a fazenda perde muito.
Ela fechou os olhos. O mundo parecia cruel demais naquela manhã. Rafael tocou seu rosto com cuidado.
— Isa, eu levo ele. Você fica.
— Não! — ela reagiu, quase cortante — Ele é meu avô, Rafael!
— E ele confiaria em você pra fazer o que a fazenda pre