A notícia não chegou como um estouro, veio mansa, quase tímida... do jeito que as coisas grandes costumam chegar quando sabem que vão mudar rápido.
Rafael desligou o telefone na varanda, ficou alguns segundos olhando para o nada, o celular ainda quente na mão. A fazenda seguia seu ritmo habitual: o barulho distante do curral, o vento mexendo as folhas da árvore do chapéu, Clara rindo em algum canto da casa. Tudo estava exatamente como sempre esteve. E, ainda assim, algo já tinha se deslocado dentro dele.
Entrou na sala devagar, Isabella estava sentada no chão com Clara, empilhando blocos coloridos qua a filha derrubava com entusiasmo.
— Papai! — Clara disse, abrindo os braços.
Rafael se abaixou, beijou o rosto dela, respirou fundo o cheiro morno da infância. Aquilo sempre o encorajava.
— O que foi? — Isa perguntou, percebendo o silêncio diferente.
Ele sentiu ao lado delas, apoiando os cotovelos nos joelhos.
— Lembra do produtor de BH? — começou, e ela assentiu, em alerta