O teatro estava cheio naquela noite. Luzes quentes, murmúrios ansiosos, o cheiro inconfundível de madeira antiga misturado à expectativa. Rafael aguardava nos bastidores com o violão apoiado contra o corpo, os dedos inquietos, o coração em um compasso diferente do habitual. Não era nervosismo de palco — era outra coisa, mais funda, pensava em Clara.
Pensava no jeito como a filha fechava a mãozinha ao sentir seu dedo, no peso leve do corpo dela adormecido em seu peito, na forma como o mundo inte