Capítulo 88 - Aquilo Que o Corpo Lembra

“O corpo guarda aquilo que a mente teme confessar.”

Elena Rossi

O San Michelle di Firenze nunca dormia. Na verdade, os hospitais nunca param, foram construídos para manter a vida em movimento enquanto o resto do mundo dormia. E naquela manhã, quando os passos das enfermeiras começaram a preencher o corredor, Sofia já estava desperta.

Eu não consegui dormir. Tudo parecia um sonho e temia que se fechasse os olhos, pudesse acordar novamente naquele pesadelo que nos acompanhou durante meses.

— Lena, você não dormiu? — perguntou, sentada com as pernas cruzadas no meio da cama, segurando o ursinho mel como se ele também quisesse saber.

Eu esfreguei o rosto, tentando ajustar a visão ao mundo que insistia em começar antes de mim.

— Que horas são?

— Sete e cinco! — ela respondeu com a empolgação de quem acaba de ganhar um presente.

— Isso é madrugada para os adultos.

— Madrugada é três e cinquenta e dois. — ela corrigiu com autoridade. — Eu perguntei ontem.

Suspirei fundo me sentando e puxe
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