“O corpo guarda aquilo que a mente teme confessar.”
Elena Rossi
O San Michelle di Firenze nunca dormia. Na verdade, os hospitais nunca param, foram construídos para manter a vida em movimento enquanto o resto do mundo dormia. E naquela manhã, quando os passos das enfermeiras começaram a preencher o corredor, Sofia já estava desperta.
Eu não consegui dormir. Tudo parecia um sonho e temia que se fechasse os olhos, pudesse acordar novamente naquele pesadelo que nos acompanhou durante meses.
— Lena, você não dormiu? — perguntou, sentada com as pernas cruzadas no meio da cama, segurando o ursinho mel como se ele também quisesse saber.
Eu esfreguei o rosto, tentando ajustar a visão ao mundo que insistia em começar antes de mim.
— Que horas são?
— Sete e cinco! — ela respondeu com a empolgação de quem acaba de ganhar um presente.
— Isso é madrugada para os adultos.
— Madrugada é três e cinquenta e dois. — ela corrigiu com autoridade. — Eu perguntei ontem.
Suspirei fundo me sentando e puxe