“O castelo continua, mesmo quando mudam os quartos.”
Elena Rossi
Eu ouvi o salto de Beatrice antes de vê-la.
No corredor do San Michelle di Firenze, aquele som não combinava com o resto. Enfermeiras usavam tênis silenciosos, médicos deslizavam com sapatos de borracha, familiares caminhavam na ponta dos pés.
Beatrice não.
O salto dela marcava presença como se lembrasse ao hospital que a vida lá fora continuava acontecendo com pressa, beleza e perfume caro.
Ela surgiu na porta com o corpo apoiado de lado no batente, os óculos de sol empurrados para o topo da cabeça, lenço de seda caindo perfeito sobre o pescoço e um sorriso que ocupou o quarto inteiro.
— É aqui que está dormindo uma princesinha? — perguntou com um sorriso largo no rosto.
Sofia ergueu o rosto tão rápido que as orelhinhas da touca balançaram.
— TIA BIA! — gritou, como se tivesse esperado meses, não algumas horas.
Sempre que ela falava assim, meu coração oscilava entre gratidão e medo. Gratidão porque Sofia ainda consegu