O erro não foi subestimar Luna.
O erro foi acreditar que ela jogava sozinha.
Na manhã seguinte, o ambiente já não era apenas tenso — era instável. Algo havia escapado do controle silencioso que sustentava decisões há anos. Não houve anúncio formal, nem comunicado oficial. A mudança se manifestou de forma mais perigosa: nos bastidores.
Reuniões que antes aconteciam com portas abertas passaram a ser fechadas. Conversas que antes incluíam nomes agora vinham cheias de evasivas. O fluxo de informações começou a se fragmentar, e isso, para quem sabe ler o cenário, é sempre um sinal claro de crise.
Luna percebeu logo cedo.
Não porque alguém a avisou, mas porque os padrões mudaram. E padrões são linguagem.
Ela abriu os relatórios, cruzou dados, comparou horários, acessos, movimentações. Havia pequenas inconsistências — nada gritante, nada que justificasse um alarme público. Mas o conjunto revelava algo maior: alguém estava tentando redesenhar o tabuleiro sem avisar os jogadores.
Ela fechou o