A porta do apartamento se fechou atrás de Luna com um som seco, definitivo. Ela permaneceu parada por alguns segundos, ainda de costas para a sala, sentindo o peso do dia se acomodar lentamente nos ombros. Não era exaustão física. Era o desgaste de quem sustenta uma posição sem apoio visível.
Aquele tinha sido o primeiro dia inteiro depois da reunião. O primeiro dia em que o silêncio deixou de ser expectativa e passou a ser comportamento.
Ela largou a bolsa sobre o aparador e caminhou até a sala sem acender as luzes principais. Preferia assim. A meia-luz criava sombras que não distraíam; obrigavam a encarar as coisas como eram. Acendeu apenas o abajur ao lado do sofá e se sentou, soltando o ar devagar, como se o corpo finalmente entendesse que estava em segurança.
Mas a mente não descansava.
O silêncio daquele dia não fora confortável. Ninguém a confrontara abertamente. Não houvera ataques diretos, questionamentos agressivos ou conflitos explícitos. Ainda assim, Luna sentira cada micr