O coração do Abismo não era um lugar.
Era uma consciência viva, pulsando no escuro, como se o centro do nada tivesse aprendido a respirar.
Assim que Lyria atravessou, tudo ficou silencioso demais.
Não havia chão.
Não havia luz.
Não havia direção.
Mas havia um pulso.
Tum.
……
Tum.
…………
Tum.
Como se o nada estivesse tentando imitar um coração há milhares de eras e ainda não tivesse acertado o ritmo.
A voz do Abismo ecoou—não ao redor, mas dentro dela:
“VOCÊ NÃO DEVERIA TER CHEGADO AQUI…”
Lyria manteve o olhar firme.
A luz do Quarto Elemento flutuava ao redor do corpo dela, como estrelas que não obedeciam gravidade.
— Eu vim terminar o que ela começou.
O Abismo tremeu.
“A PRIMEIRA HERDEIRA…
ELA FOI MINHA.”
Lyria apertou os punhos.
— Foi.
— Mas eu não sou.
O Abismo recuou — não fisicamente, mas na intenção.
Como se aquela resposta tivesse acertado uma parte antiga dele que não sabia ser vulnerável.
O pulso ficou irregular.
Tum—
TumTum—
………… Tum…
Lyria caminhou — mesmo sem chão.
Cada passo