AGORA
A chuva caĂa fina sobre SĂŁo Paulo, transformando a cidade num borrĂŁo cinza visto da janela do gabinete. Melina permanecia de pĂ©, imĂłvel, o envelope ainda aberto sobre a mesa, como se aquelas poucas palavras fossem capazes de incendiar tudo o que ela havia construĂdo.
âVocĂȘ aprendeu a lição errada.â
Ela releu a frase pela terceira vez.
Não era ameaça direta.
Era provocação psicológica.
Miguel sempre fora bom nisso: nĂŁo empurrava â cutucava feridas atĂ© que a prĂłpria pessoa se movesse.