Melina acordou antes do despertador.
Isso raramente acontecia.
O corpo ainda estava imóvel na cama, mas a mente já havia disparado — como se algo tivesse tocado um alarme invisível durante a madrugada. Não era medo. Era antecipação. A sensação conhecida de quando uma engrenagem começava a girar fora do controle.
Ela levantou, tomou banho frio e vestiu um terno escuro demais para aquele horário.
Como armadura.
Na cozinha, o celular vibrou pela primeira vez.
Depois, pela segunda.
E pela terceira.
Ela não atendeu.
Sabia o que encontraria.
Quando finalmente abriu as notificações, o mundo já tinha começado sem ela.
Um link.
Depois outro.
Depois mais um.
Todos levavam ao mesmo lugar.
“EX-INTEGRANTE DE REDE FEMININA DENUNCIA SILENCIAMENTO INTERNO”
Melina clicou.
A matéria era longa. Bem escrita. Cuidadosa demais para ser improviso.
Não citava nomes no título.
Mas citava datas.
Contextos.
E uma mulher descrita com precisão cirúrgica.
“Uma liderança