As quarenta e oito horas que antecediam o casamento não eram um sonho de tule e flores; eram um turbilhão de realidade nua e crua. Enquanto a mansão fervilhava com a chegada de floristas, alfaiates e cozinheiros, Lara Sterling sentia-se como se estivesse caminhando através de uma névoa espessa.
Ela estava sentada no pequeno jardim de inverno, observando as primeiras flores de cerejeira caírem como neve rosada sobre o gramado. Em sua mão, o documento amarelado que o Juiz Thorne deixara para trás. A revelação de que seu pai não fora apenas uma vítima, mas um homem que errara gravemente — e que o pai de Arthur, o homem que ela odiara por anos, fora seu salvador secreto — havia abalado as fundações de sua própria identidade.
— Você está olhando para esse papel há uma hora — a voz de Arthur surgiu suave, vinda da entrada do jardim.
Lara não se virou.
— Eu passei a vida inteira alimentando minha sobrevivência com a raiva, Arthur. Eu achava que era o dever de uma filha honrar a memória d