A ligação chegou pouco depois da meia-noite.
Não tocou.
Vibrava.
O celular de Ana deslizou lentamente sobre a mesa de madeira, como se tivesse vontade própria, atraído pela beira.
O som era baixo, insistente, íntimo demais para ser ignorado.
Rafael despertou no sofá ao mesmo tempo que ela estendeu a mão, os dois trocando um olhar que dispensava perguntas.
Número desconhecido.
Ana atendeu sem dizer nada.
Do outro lado, silêncio.
Um silêncio longo, calculado.
Ela quase desligou quando a voz