As Marcas Que Ficaram
A fumaça ainda se erguia em espirais negras quando os bombeiros apagaram os últimos focos do incêndio.
O carro de Rafael, agora uma carcaça retorcida e chamuscada, repousava em frente à casa como um aviso.
Ana Luísa, de braços cruzados, sentia o peito apertado. O cheiro de borracha queimada parecia entranhar-se na pele, nos cabelos, na memória.
Rafael mantinha o olhar fixo nas chamas apagadas. Seu maxilar tenso, os punhos cerrados.
— Não foi acidente. Não foi um