Os dias seguintes não trouxeram ameaças.
Nenhuma ligação estranha. Nenhum carro parado tempo demais na esquina. Nenhum nome jogado ao vento como aviso. E, mesmo assim, Maya sentia que tudo estava sendo observado de longe — como um predador que se satisfaz em esperar.
Ainda assim, a vida continuava.
E isso, por si só, era revolucionário.
Naquela manhã, Enzo insistiu em fazer o próprio café da manhã. O resultado foi uma bagunça considerável, mas Maya deixou. Orion observou da porta, dividido entre a vontade de intervir e a curiosidade de ver até onde o filho iria sozinho.
— Não tá perfeito — Enzo avaliou o pão torto no prato. — Mas dá pra comer.
— Dá sim — Maya respondeu. — Nem tudo precisa ser perfeito.
Orion lançou-lhe um olhar rápido. A frase não era apenas sobre pão.
Depois que Enzo saiu para a escola, Maya e Orion ficaram na cozinha, cada um ocupado com algo pequeno demais para justificar o silêncio confortável que se formou entre eles.
— Eu falei com meu advogado de novo — Orion c