A paz continuava ali — não como promessa, mas como prática diária.
Maya percebeu isso ao acordar com o som distante de Orion conversando baixo ao telefone, a voz controlada, mas sem a rigidez de antes. Não era uma ligação tensa. Era trabalho. Apenas trabalho. O tipo de detalhe que, semanas atrás, teria colocado o corpo dela inteiro em alerta.
Agora, não.
Ela ficou alguns segundos deitada, observando a luz entrar pela fresta da cortina. O quarto ainda não era exatamente dela, mas já não parecia um lugar provisório. Havia livros na mesinha, um cachecol pendurado na cadeira, pequenos sinais de permanência que não gritavam, mas afirmavam.
Quando saiu para a cozinha, encontrou Enzo sentado à mesa, concentrado em um caderno.
— Você tá acordada cedo — ele comentou, sem levantar os olhos.
— Você também — Maya respondeu.
— Hoje é dia de ensaio da música — ele disse, como se aquilo explicasse tudo.
Ela sorriu.
— Nervoso?
— Um pouco — confessou. — Mas eu gosto quando você fica lá.
— Eu vou ficar