A paz começou a se manifestar nas coisas pequenas.
Maya percebeu isso numa manhã em que não acordou sobressaltada, sem checar o celular, sem ouvir passos imaginários no corredor. Apenas abriu os olhos, ficou alguns segundos encarando o teto e respirou fundo — um gesto simples, quase esquecido.
Na cozinha, Enzo já estava sentado à mesa, desenhando com lápis de cor espalhados por todo lado.
— Você acordou tarde — ele avisou, como se fosse um fato grave.
— Atrasada? — Maya perguntou, olhando o relógio.
— Um pouquinho — ele respondeu. — Mas eu esperei.
Ela sorriu.
— Obrigada por esperar.
— Eu sei esperar — Enzo disse, sério. — Você sempre volta.
A frase ficou com ela o resto da manhã.
Orion apareceu pouco depois, vestindo uma camisa clara, sem gravata. Parou ao ver os lápis espalhados, avaliou a bagunça por um segundo… e não disse nada. Apenas pegou uma xícara e se sentou.
— Isso é progresso — Maya comentou, divertida.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Escolhi minhas batalhas.
Enzo riu.
Depo